Manual de operações

O que fazer com a caixa de e-mail quando alguém sai da empresa

Por Alexey Bulygin
Mesa vazia com uma bandeja cheia de correspondências pendentes

Quando uma pessoa pede demissão, sua caixa postal se transforma em um problema difícil de encaixar. Ela contém correspondências de que a empresa precisa, credenciais vinculadas a serviços que ninguém auditou e um endereço para o qual os clientes continuarão escrevendo por meses. Em geral, a decisão sobre o destino da caixa postal é tomada às pressas na última tarde da pessoa na empresa, e é assim que o histórico acaba se perdendo.

Este artigo apresenta as opções, o custo de cada uma e a sequência que evita tanto a perda de mensagens quanto a manutenção indevida do acesso.

Siga esta ordem

Cuidar da caixa postal de alguém que deixa a empresa exige uma sequência de ações. A ordem importa mais do que qualquer etapa isolada, pois inverter os passos cria uma brecha.

Primeiro, impeça novos acessos. Troque a senha e revogue todas as senhas de aplicativos e sessões de dispositivos conectados. Faça isso no momento em que o vínculo termina, e não quando vence o aviso prévio. Muitas vezes, essas datas não coincidem, e é justamente nesse intervalo que surgem os problemas.

Segundo, decida para onde irão as novas mensagens. Antes de alterar qualquer outra coisa, defina quem passará a receber, já na manhã seguinte, as correspondências enviadas para esse endereço. Os clientes não deixarão de escrever só porque alguém saiu da empresa.

Terceiro, preserve o conteúdo existente. As mensagens da caixa postal são registros da empresa e precisam ser mantidas por mais tempo do que a pessoa permaneceu no cargo.

Só depois disso, exclua ou dê outra função à caixa postal. A exclusão é a última etapa e também a única irreversível. Portanto, deve acontecer apenas quando todas as outras questões já estiverem resolvidas.

As opções e o custo de cada uma

Há quatro destinos sensatos para a caixa postal de alguém que saiu. A melhor escolha depende de esse endereço ter sido ou não divulgado fora da empresa.

Transforme-a em uma caixa postal compartilhada. O endereço continua funcionando, os colegas recebem acesso por meio da associação à caixa, sem precisar compartilhar uma senha, e todo o histórico permanece no mesmo lugar. Essa costuma ser a melhor opção para quem mantinha contato com clientes e consome uma caixa compartilhada da cota por domínio do seu plano.

Mantenha-a inativa e encaminhe as mensagens. Os e-mails continuam chegando e são redirecionados para a pessoa que assumiu as responsabilidades. É uma solução simples, mas as respostas partem de outro endereço e podem confundir o interlocutor.

Transforme-a em um alias. Quando o fluxo de correspondências realmente novas já tiver diminuído, um alias associado à caixa postal de outra pessoa mantém o endereço ativo praticamente sem custo e libera por completo a vaga ocupada pela caixa original.

Exclua-a. Essa opção é adequada para endereços usados apenas internamente, que nunca foram conhecidos fora da empresa, e para funcionários que permaneceram pouco tempo e não trocaram mensagens com pessoas externas. Não é adequada para nenhum endereço voltado a clientes e, depois de encerrado o período de retenção, torna-se efetivamente irreversível.

Preserve o histórico

Preservar o conteúdo da caixa postal quando alguém sai é a etapa que mais costuma ser ignorada e da qual as pessoas acabam se arrependendo. Normalmente isso acontece cerca de dezoito meses depois, quando surge uma disputa.

A opção mais econômica é simplesmente não excluir a caixa. Aqui, o armazenamento é compartilhado, em vez de ser cobrado por usuário. Portanto, uma caixa inativa ocupa espaço, mas não gera uma nova cobrança, e mantê-la por um ano não custa nada além de uma vaga na cota. Como as caixas postais não são cobradas individualmente, não existe a pressão financeira que normalmente leva à exclusão.

Se você preferir guardar as mensagens em outro lugar, uma exportação por IMAP gera uma cópia sob seu controle, que poderá ser arquivada. Essa também é a melhor alternativa quando a caixa é grande e você não quer que ela consuma indefinidamente o armazenamento compartilhado.

Evite a solução intermediária em que alguém encaminha tudo para a própria caixa de entrada e apaga a original. Nesse caso, o histórico passa a existir dentro da caixa de uma única pessoa, e você recria exatamente o mesmo problema que está tentando resolver, apenas transferindo-o para o futuro.

As credenciais das quais ninguém se lembra

A caixa postal de alguém que deixa a empresa também funciona como fator de autenticação para todos os serviços nos quais essa pessoa se cadastrou com o endereço.

Quem assumir o controle da caixa poderá acessar todos os serviços em que o endereço é usado para entrar e todos aqueles que enviam para ele as mensagens de redefinição de senha. Esse é um bom motivo para manter a caixa sob o controle da empresa, em vez de excluí-la. Afinal, um endereço apagado em um domínio que pertence a você pode ser recriado por qualquer pessoa com acesso ao domínio, inclusive, no futuro, por alguém que não deveria fazer isso.

Na prática, verifique como o endereço era usado antes de decidir. Pesquise na caixa postal por confirmações de cadastro e redefinições de senha. Esse inventário leva dez minutos e frequentemente revela dois ou três serviços cuja existência ninguém conhecia.

Quando a empresa utiliza um alias para cada serviço, essa tarefa se torna muito mais fácil, pois cada endereço identifica o próprio serviço. É o método explicado em um alias de e-mail para cada cadastro.

Transforme o processo em rotina

Quando uma caixa postal é administrada de forma inadequada após a saída de alguém, quase nunca é por falta de conhecimento. O problema é que a decisão precisa ser tomada a cada desligamento, sob pressão e por quem estiver disponível.

Registre o processo uma única vez: quais endereços devem virar caixas compartilhadas, quais devem se tornar aliases, por quanto tempo as caixas inativas serão mantidas e quem será responsável por cada etapa. Uma página com essa política elimina a improvisação, que é justamente onde as mensagens se perdem.

A solução estrutural é organizar o e-mail de modo que as saídas tenham menos impacto. Quando a correspondência pertence a um projeto, cliente ou função, e não a uma pessoa, a saída de alguém exige apenas uma mudança de associação à caixa, sem nenhuma outra decisão. Essa é a abordagem apresentada em uma caixa postal para cada projeto. Ela não atende aos endereços pessoais, que sempre existirão, mas limita o problema aos casos que são realmente pessoais.

O aspecto jurídico, em poucas palavras

Vale conhecer dois pontos, mas nenhum deles constitui orientação jurídica.

A correspondência comercial em uma caixa de trabalho geralmente faz parte dos registros do empregador, e os prazos obrigatórios de retenção variam conforme o país e o setor. Muitas vezes são vários anos e podem ser ainda mais longos para documentos financeiros ou sujeitos a regulamentação. No Reino Unido, as orientações do ICO são um ponto de partida razoável. Portanto, excluir uma caixa postal rapidamente pode ser um erro por motivos que nada têm a ver com conveniência.

As mensagens pessoais em uma caixa de trabalho são uma questão mais delicada, e cada jurisdição determina como elas devem ser tratadas. A abordagem mais transparente é informar com antecedência o que acontecerá com a caixa postal quando alguém deixar a empresa. Assim, ninguém será surpreendido por uma decisão tomada durante um desligamento que pode não ser amigável.

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