Drive e armazenamento

Sincronize arquivos com uma credencial por dispositivo

Por Alexey Bulygin
Três chaves de formatos diferentes penduradas ao lado de um arquivo

A forma mais comum de sincronizar arquivos entre dispositivos é instalar um aplicativo, entrar com a senha da conta principal e deixá-lo funcionando. Isso funciona, mas cria um problema silencioso: toda máquina que já armazenou essa senha pode acessar tudo, inclusive o notebook que você vendeu, o celular que trocou e o computador de um escritório onde já não trabalha.

O acesso dos dispositivos ao Drive funciona de outra maneira. Cada dispositivo recebe uma credencial própria, que pode ser revogada ou renovada separadamente, e nenhuma delas é a senha da sua conta. Esta página explica como configurar o acesso, por que as credenciais individuais são mais importantes do que parecem e o que esse método faz ou deixa de fazer.

Por que credenciais por dispositivo mudam o cenário

Uma senha compartilhada é um ponto único de falha que cresce sempre que você adiciona uma máquina, embora esse seja o método padrão usado por muitas ferramentas para sincronizar arquivos entre dispositivos.

Ao trocar a senha, todos os dispositivos param de funcionar ao mesmo tempo, e é por isso que tantas pessoas evitam mudá-la. Se um notebook for perdido, a única solução é alterar a senha em todo lugar. Assim, um incidente pequeno exige uma resposta muito inconveniente, e esse atrito muitas vezes faz com que nenhuma providência seja tomada.

Credenciais por dispositivo eliminam esse dilema. A credencial do notebook roubado pode ser revogada em uma única ação sem trocar as credenciais das outras máquinas. A revogação bloqueia novas autenticações, mas uma operação ou sessão já ativa pode continuar até ser encerrada ou validada novamente. Ao acessar os mesmos arquivos dessa forma, retirar uma máquina de uso costuma ser uma tarefa breve, não um trabalho para a tarde inteira.

Essa é a vantagem prática das credenciais individuais ao acessar arquivos em vários dispositivos. A renovação segue a mesma lógica: é possível substituir a credencial de uma máquina sem afetar as demais. Com isso, a troca periódica passa a ser uma tarefa que você realmente consegue realizar.

Como acessar arquivos em vários dispositivos

O mecanismo é o WebDAV, um padrão da IETF, e não um aplicativo que pedimos para você instalar. Isso traz duas consequências que vale a pena conhecer desde o início.

A vantagem é que ele vem integrado a todos os sistemas operacionais para desktop e tem suporte em muitos gerenciadores de arquivos para celular. Não há software proprietário para manter nem aplicativo que deixe de funcionar caso um fornecedor perca o interesse. O Windows o adiciona como um local de rede, o macOS se conecta pelo Finder, o Linux o monta e o armazenamento aparece como uma unidade normal.

A limitação é que o WebDAV monta uma unidade remota em vez de manter uma cópia local sincronizada. Os arquivos são abertos no servidor e normalmente refletem a versão disponível ali quando o cliente atualiza a visualização. Não é necessária uma cópia local completa, mas o sistema ou o aplicativo pode criar cache ou arquivos temporários. O acesso offline depende desse comportamento e não é garantido. Se precisa trabalhar durante um voo, uma unidade montada não é a ferramenta certa: use um cliente de sincronização de verdade.

A configuração é rápida: crie uma credencial para o dispositivo no painel e conecte-se usando o endereço do servidor e essa credencial. Os detalhes estão no guia de WebDAV.

Tarefas que uma unidade montada atende bem

Definir com clareza os usos adequados evita frustrações. A expressão “sincronizar arquivos entre dispositivos” abrange necessidades diferentes, e uma unidade montada atende algumas delas muito melhor do que outras.

Arquivos grandes usados ocasionalmente. Conteúdo volumoso demais para permanecer em um notebook pode ser acessado como se estivesse no computador. Nesse caso, uma unidade montada é mais vantajosa do que a sincronização, pois esta exigiria espaço em disco, enquanto a montagem não exige uma cópia local completa.

Material de referência compartilhado. Arquivos lidos por várias pessoas e alterados por poucas, como modelos, recursos de marca e documentação. Todos consultam a versão armazenada no servidor naquele momento, pois há apenas uma cópia de trabalho.

Acesso automatizado. Uma tarefa de backup ou um processo de compilação pode gravar em um caminho montado usando uma credencial que existe apenas naquela máquina e não fica armazenada no notebook de ninguém. A montagem fornece somente o caminho de acesso: agendamento, retenção, versões e verificação das cópias exigem uma política de backup separada.

Celulares que não devem armazenar tudo. Se um celular for perdido, sua credencial pode ser revogada sem alterar a conta à qual ele pertence. Isso bloqueia novas autenticações, mas os dados já baixados e uma sessão que continue ativa dependem do cliente, do cache e do momento da próxima validação.

Quando um cliente de sincronização real é melhor

Se você precisa de sincronização bidirecional de verdade, tratamento de conflitos, edição offline e envio em segundo plano, o Dropbox e serviços semelhantes foram criados para isso. Este método não pretende substituí-los. Uma unidade montada não é um mecanismo de sincronização.

A edição colaborativa é outra lacuna. Se duas pessoas abrirem o mesmo documento em uma unidade montada, uma delas pode acabar sobrescrevendo as alterações da outra. Arquivos editados simultaneamente por várias pessoas devem ficar em uma ferramenta desenvolvida para essa finalidade.

Portanto, esta solução atende boa parte do que as pessoas querem dizer ao falar em sincronizar arquivos entre dispositivos: acessar os mesmos arquivos de qualquer lugar sem duplicá-los. Ela não atende ao caso de edição colaborativa simultânea.

Como manter o acesso organizado

Alguns hábitos ajudam a manter o acesso por dispositivo útil, sem transformá-lo em outra fonte de confusão.

Independentemente do uso, as credenciais são a parte que merece mais disciplina.

  • Dê às credenciais o nome da máquina. “MacBook”, “computador do escritório”, “servidor de backup”. Uma lista de credenciais sem nome é uma lista que você nunca terá coragem de limpar.
  • Use uma por dispositivo e nunca compartilhe entre dois. Reutilizar a mesma credencial em várias máquinas recria o problema que você queria evitar.
  • Revogue o acesso ao descartar a máquina, não depois. Faça isso assim que ela sair do seu controle, antes de apagar seus dados e antes de vendê-la.
  • Revise a lista duas vezes por ano. Revogue tudo o que não conseguir identificar, pois uma credencial sem origem conhecida já não está sob seu controle.

Conexão em cada plataforma

Como o WebDAV é um padrão, não um aplicativo, as etapas para acessar arquivos em vários dispositivos variam um pouco conforme o sistema operacional. Cada plataforma também tem uma particularidade que convém conhecer antes de começar.

Windows permite adicioná-lo como um local de rede pelo Explorador de Arquivos. Por padrão, o Windows impõe um limite conservador ao tamanho dos arquivos transferidos via WebDAV. Com isso, arquivos grandes podem se recusar a copiar sem apresentar um motivo claro. Trata-se de um valor do Registro que precisa ser aumentado apenas uma vez em cada máquina.

macOS se conecta pela opção Conectar ao Servidor do Finder. Funciona bem, mas vale lembrar que o macOS grava arquivos ocultos de metadados nas pastas que acessa. Eles são inofensivos, porém podem deixar arquivos auxiliares espalhados em diretórios compartilhados com outras pessoas.

Linux permite montar o armazenamento pelo gerenciador de arquivos do desktop ou pela linha de comando e costuma apresentar o comportamento mais previsível dos três. Geralmente é o ambiente mais indicado para tarefas automatizadas.

Celulares e tablets precisam de um gerenciador de arquivos compatível com o protocolo, pois nem o iOS nem o Android inclui um por padrão. Existem várias boas opções para os dois sistemas. É também nesses aparelhos que uma credencial revogável faz mais diferença, porque celulares são os dispositivos que realmente acabam perdidos.

Como é usar no dia a dia

Alinhar as expectativas evita a frustração mais comum: esperar que uma unidade remota montada para acessar arquivos em vários dispositivos se comporte como um disco local.

Abrir e salvar são operações de rede. Um arquivo grande abre na velocidade da sua conexão, não instantaneamente, e um aplicativo que salva o tempo todo pode parecer mais lento do que ao trabalhar localmente. Em documentos, imagens e arquivos compactados, talvez você nem perceba. Já editar vídeo diretamente na unidade pode ser muito lento. Nesse caso, o ideal é baixar o arquivo, trabalhar localmente e enviá-lo de volta.

Também é preciso observar pastas com uma quantidade muito grande de arquivos. Dividir uma pasta com dez mil itens em uma hierarquia razoável melhora bastante a navegação. Vale a pena fazer isso ao organizar o armazenamento pela primeira vez, antes que a situação se torne incômoda.

Esse comportamento não é exclusivo do nosso serviço. Ele decorre da montagem de armazenamento remoto via HTTP, e o WebDAV de qualquer fornecedor pode se comportar de maneira semelhante nesse tipo de acesso.

Armazenamento e estrutura

O Drive fica vinculado à mesma conta do seu e-mail. Na oferta descrita, os planos começam com 250 GB por $3.20 ao mês e chegam a 100 TB por meio de um controle deslizante, conforme os limites e as condições do plano. Assim, a unidade montada e a caixa de e-mail fazem parte de uma única assinatura, não de duas.

O espaço pode ser compartilhado por toda a conta ou atribuído por caixa postal. Isso importa quando várias pessoas montam o mesmo armazenamento: o arquivo de uma pessoa não deve consumir todo o espaço das demais. Também é possível compartilhar uma pasta com outra conta, para que um prestador de serviço monte exatamente uma pasta e nada além dela. Saiba mais em como funciona o compartilhamento.

A ideia central é simples, mas seus benefícios se acumulam: ao acessar arquivos em vários dispositivos, a credencial deve pertencer ao aparelho, não a você. Assim, perder um equipamento causa transtorno apenas naquele equipamento, em vez de se tornar um incidente que afeta tudo o que você possui.

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